3 de out. de 2008

foco desfoco



Vou olhar para o céu
sem perceber o chão
sem sentir o empurrão
dos passantes apressados

Vou olhar para o alto
talvez tropece, me ferre
quanto mais se olha pra cima
mas se pisa na merda

Quem se importa,
a sorte é a saída
vá em frente com cara quebrada
e dor de barriga

Vou ouvir o som do meu radio
e não ligar para as buzinas
para a chuva fina
e o farol fechado

Eu espero, em pé e sentado
não dou o braço ao tempo
fico pendurado na janela
a espera pode ser a promessa

Ele vem, não sei bem
quando e como
olho o mar e peço a Yemanja
um sorriso de amor já

Enquanto isso, eu sigo
a olhar a cidade, sem foco
os bares, os onibus, os rostos
procurar na multidão sem graça
o destino que me aguarda