18 de jul. de 2008

não quero dizer nada com isso!



...e ele diz para ela de novo:
"A vida é assim, nada é completamente bom ou ruim!"
E ela responde cantarolando com seu sotaque britânico
(que sempre achou mais chique e bonito que o americano):
"Life is like that, nothing can be completely good or bad!"

Num olhar rápido para o fundo do olho
daquele lindo menino á sua frente,
ela nota que ele não sabe o que quer,
e que seu olhar humedece delicadamente
a cada piscada. Ele não quer chorar na frente dela.
Nunca chorou na frente de ninguém.
Só quando estiver sozinho ele deixará a lágrima livre para sair.
Com um suspiro profundo, uma esfregada de mão nos olhos,
e pronto, ele guarda o choro pra depois.
Afinal, logo logo ela sairá pela porta da frente.
Sem olhar pra trás com a mala nas costas.
A mala é tudo que ela tem na vida. Mesmo não querendo muito,
ela também não quer tão pouco. E por isso o deixaria.

"idade talvez!" Pensou ela em voz alta.
"O que disse?" Ele pergunta curioso. Estava acordando de seus
frequentes devaneios. Quase sempre ele perdia o olhar para o
horizonte mais próximo e ficava imóvel,
feito estátua olhando para o nada,
com um olhar de louco psicopata que sempre assustava muito ela.

"Nada, não disse nada"
Ele se revolta:
"Disse sim, pensou e disse alto, sem querer,
agora que já foi vai ter que falar"
"Então, eu já falei, se você não ouviu já foi, não era para ouvir"
Ele fica mudo diante de tal comentário grosseiro dela.
Não suportava mais a indiferença daquela menina
que, convenhamos, mal o conhece.

Sabia que essa não era a primeira Vida em que se encontraram.
Tinha algo pesado, antigo que rodeava os dois.
E era melhor resolver agora, nessa vida,
pra não voltar nas outras seguidas.
Mas por não gostar de mexer com misticismos e
ocultismos diversos, por não saber lidar com
isso direito, eles certamente
deixariam pra resolver aquele karma depois.

Ela olhava e queria que ele fosse outro.
Não fisicamente, nem a personalidade.
Amava tudo isso nele. Era a sua postura para com ela.
Ele não podia assumir e dar o que ela procurava.
Era um homem sem futuro.
E por mais que isso pudesse parecer triste e cruel,
não tinha como não pensar nisso.

O sexo era muito bom. Obrigado.
Nada além, nada rápido, nem calmo. Mar plácido. Lugar comum.
Muito tesão de certo. Uma briga e uma garrafa de vinho resolviam
qualquer problema.

De olhos fechados ele disse:
"Antes que você diga primeiro, eu já sei, não tem mais jeito."
Ele abre os olhos e continua:
"Realmente acabou. Sumiu. O amor evaporou.
O meu não muito, assim, ainda tinha esperança.
Mas infelizmente o seu amor se foi totalmente."

Pegando a mala e indo em direção a porta da frente, ela interrompe:
"Para de ser louco melodramático. Eu só vou viajar.
Passar um tempo fora.
Eu sei que tenho andado muito ocupada.
Sem tempo pra nada...
Me beija?"
Assustado ele grita:
"Não"
"Para, isso só piora as coisas"
Ela fala enquanto tenta convence-lo de beija-la.
Ele olha no celular e muda de semblante.
Fica de repente serio:
"Acabou nosso tempo. Nos encontramos daqui um mês?"
Andando cabisbaixa em direção a saída, ela olha para trás:
"Isso"
Ela ainda tem esperança.