3 de dez. de 2007

azul infinito

sou mutante por natureza
vivo o que me cabe
e transbordo o resto para o mundo
me jogo pra aproveitar tudo
amanha posso não existir mais
não sou capaz de mentir
e enganar a mim mesma
a minha defesa
agora é o ataque
ser passiva só me abate

o que queria está na minha porta
está dentro de mim e fora
vive e pulsa na minha alma
sem isso eu morro agora
mas apareceu você assim sem querer
enquanto buscava a paz no peito
a cicatriz ainda está em relevo
por mais que não me incomode
ainda sonho com pesadelos
ainda suspiro em lamentos

mas as nuvens negras logo viraram luzes
o inverno vai e o verão esquenta o chão que piso
caminho sozinha e vem você me dar as mãos
com seus lindos olhos apaixonantes
de um azul libertinoso
incrível e até perigoso
rapidamente me perco no seu mundo estranho e diferente

sou mais forte com tudo que passei
e você ainda quer somar e juntar e dividir e aglutinar
e toda essa coisa que não me atrai mais
não imaginas o que passei pra ser essa mulher
pra ser capaz de viver sem fingir e chorar quando quer

agora vem você dizer
como sou boa
gostosa, delícia apetitosa
que mulher maravilhosa
que encanto especial
achas que até agora estava sendo preparada
para te encontrar e ser a sua mulher?

meu amor, a cidade está em festa
o sol brilha na minha janela
vejo o Cristo bem de perto
e lavo minha roupa
enquanto ele me olha

olha lá de cima
do céu imenso
sou formiga gigante
o mundo está pequeno
para toda minha vontade de viver
para tudo, esquece o mundo e vem me ter
larga tudo, muda o rumo e vem só ser

devo admitir que foi paixão a primeira vista
não vou mais fugir
que se foda toda a dor que pode vir
que se dane o meu racional
vou dar de mim pedaços do inteiro
que você terá se for o tal
vai ver que já sou eu e você um casal