A pele sente mais arrepio na noite
Porque nela a solidão fica mais escura
Olho no espelho e não me vejo
Onde foi a alegria?
Brincar em outros terrenos
Me dilacero em pensamentos
Vagos, vazios e soltos
Me dissolvo no passado
E derreto no presente
“Tarkovskyniando” no futuro
Esculpo em mim o tempo de tudo
Os sonhos em pedaços
Mais pra pesadelo
Mais atirado, sem medo
Do abismo ao lado
Espelho, espelho nosso
Imagem hora em cor
Ora em branco e preto
Negro meus olhos escuros
Tingem as noites não dormidas
Apelo á madrugada, aos amigos
Ao cigarro, á palavra, á musica
Quero o tudo e o nada.
Prefiro viver a deixar que me escape
Que tudo venha
Que nada desdenhe
Sem sombra de sobra
Sem por mim passar
Tudo passa
Roupa passa
E eu me amasso
Pra não te perder
Nas dobras da vida
Nas aventuras abertas
Nas conversas desconversadas
Em feridas mal cicatrizadas
Lambo-me feito gata no cio
Não quero mais você
Miando e arranhando
No pé do meu ouvido